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Produtividade requer país mais aberto, diz Banco Mundial


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
13 março 2018 - 08:02

O novo modelo de crescimento econômico do Brasil precisa ser baseado no aumento da produtividade. A boa notícia é que o país tem a oportunidade de realizar esse aumento sem grandes investimentos. Mas para isso precisará ampliar o comércio com outros países e promover uma série de outras mudanças. Essas são algumas das conclusões de economistas do Banco Mundial, que debateram ontem dois relatórios a respeito do tema divulgados pelo órgão na semana passada.

 

"Muitas pessoas sonham em voltar ao modelo do início dos anos 2000", disse o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser. Segundo ele, o modelo adotado no começo do século conseguiu promover simultaneamente crescimento econômico e redução da pobreza. "Mas o mundo mudou", disse, lembrando da queda dos preços das commodities e, "ainda mais importante", do envelhecimento da população.

 

 

Nos cálculos do Banco Mundial, o crescimento da força de trabalho foi responsável por 2/3 do crescimento da economia brasileira no último ciclo de expansão da atividade. Mas daqui a cinco anos, justamente em função do envelhecimento da população, a diminuição da força de trabalho "vai retirar crescimento econômico" do país. Por isso, segundo Raiser, o Brasil precisa colocar a força de trabalho jovem e a produtividade "como indutores de ganhos econômicos e sociais".

 

"Sem aumentar a produtividade, a taxa de crescimento [do Produto Interno Bruto] pode se limitar a 1,3% em 2030", disse Mark Dutz, economista do órgão multilateral e autor do estudo "Crescimento e Emprego: a Agenda da Produtividade". Já um crescimento anual de 2,5% na produtividade, patamar semelhante aos das décadas de 60 e 70, poderia levar o Brasil a crescer até 4,5% ao ano.

 

O lado positivo é que há diversas frentes em que o país pode avançar, segundo ele. Um desses instrumentos seria a promoção de "políticas mais eficazes" entre empresas e "a inovação", além da implantação de políticas públicas destinadas à parcela mais pobre da população. Para isso, seria necessária uma avaliação mais precisa dos benefícios de todas essas políticas, "descontinuando" as consideradas ineficientes.

 

Outra vertente seria uma maior abertura comercial, que, como já divulgado pelo Banco Mundial, poderia tirar 6 milhões de pessoas da pobreza. Já um aumento da concorrência, por meio de um maior fluxo de comércio com outros países, teria o potencial de gerar 1,5 milhão de empregos, ao reduzir em até 10% os custos das empresas. Um brasileiro, segundo Dutz, precisa trabalhar mais de cinco vezes que um trabalhador canadense para comprar o mesmo carro.

 

Além disso, a "melhor integração doméstica", por meio por exemplo da "queda das tarifas de importação", entre outros fatores, teria potencial para que mais 3 milhões de brasileiros também deixassem de ser pobres. "É como se uma pessoa de Belém pagasse o mesmo preço por um produto que um morador de Belo Horizonte", disse.

 

Ele admite que "mudanças tecnológicas" e outros ciclos de abertura comercial realizados anteriormente tiveram efeitos negativos "muito concentrados" em determinados grupos. Mesmo assim, "o Brasil pode aprender com abordagens internacionais de sucesso período de transição", minimizando esses efeitos.

 

Para a economista Rita Almeida, autora do estudo "Competências e Empregos: a Agenda da Juventude", uma força jovem de trabalho capacitada será "o pilar do aumento da produtividade" que o país precisará em um futuro próximo. Mas para isso o Brasil deveria ter um foco maior em programas de inserção de jovens no mercado de trabalho.

 

De acordo com ela, o país acaba prestando atenção demasiada em programas passivos, como o seguro-desemprego e o FGTS, em vez de investir em programas ativos de inserção no mercado de trabalho. Além disso, passada a fase de maior acesso ao ensino nos níveis mais básicos, é necessário um salto de qualidade. "Muitas vezes jovens estão na escola e não estão aprendendo", disse. O Brasil, segundo Rita, é um país em que o aumento dos anos de escolaridade "não resulta em aumento da produtividade".

Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP

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