PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Acordo Mercosul-Canadá favorece 'made in Brazil'
Se fechado, acordo comercial criará oportunidade para 321 produtos brasileiros que chegam mais caros ao mercado canadense, diz a CNI


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
20 março 2018 - 09:10

A negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá criará oportunidade para 321 produtos brasileiros que hoje chegam mais caros e competem em condições de desigualdade no mercado canadense. É o que mostra um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), repassado com exclusividade ao 'Estadão/ Broadcast'.

 

O Canadá é o décimo maior importador do mundo e comprou mais de US$ 500 bilhões em 2017. A corrente de comércio do Brasil com o Canadá, no entanto, foi de apenas US$ 4,5 bilhões no ano passado.

 

Entre os setores que poderão ser beneficiados com o livre-comércio estão o automotivo, produtos químicos, metalurgia, agricultura e pecuária, produtos minerais e equipamentos de informática, entre outros.

 

As negociações do acordo foram lançadas no início do mês, logo depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar que taxaria a importação de aço, atingindo o Brasil e outros países. Ontem, técnicos do Ministério da IndústriaComércio Exterior e Serviços (Mdic) iniciaram a primeira rodada de discussões no Canadá e não há prazo para conclusão.

 

De acordo com a CNI, o livrecomércio trará oportunidades, principalmente, porque reduzirá tarifas que hoje incidem sobre os produtos brasileiros e encarecem o preço no mercado canadense.

 

Apesar de o Canadá ser um mercado considerado aberto, os exportadores enfrentam tarifas de importação em áreas como autopeças (6%) e calçados (16% a 18%). No caso de bens agroindustriais, essa barreira pode chegar a 70%.

 

A lista de 321 produtos foi elaborada com base no que o Canadá importa e o que o Brasil vende ao exterior com competitividade, mas que não chega ao país da América do Norte. A maioria dos produtos da lista de oportunidades são manufaturados (255), seguidos de básicos (39) e semimanufaturados (27). Dos produtos, 84 pagam hoje tarifa de importação para chegar aos canadenses.

 

Carne. É o caso, por exemplo, da carne bovina. Em 2017, o produto foi taxado com uma alíquota média de 13,25%, que podia alcançar 26,5%. Com isso, a exportação para os canadenses foi próxima de zero. Outro produto com desempenho semelhante foi calçado. Em 2017, as vendas para o Canadá somaram apenas US$ 500 mil, enquanto com uma tarifa média de 16,7%.

 

"Em um mercado tão competitivo como esse, é impossível concorrer com uma sobretaxa desse tamanho", afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, Ele admite que, quando o acordo for firmado, é possível que nem todas as tarifas caiam imediatamente e que existam "escadinhas" até o livre-comércio, o que é comum nesse tipo de trato: "Pelo que vimos nos outros acertos firmados pelo Canadá, ele não tende a segurar as tarifas. É um país que aplica tarifas para quem não tem acordo com eles, mas dentro do acordo tende a reduzir rápido".

 

A tendência é que, como aconteceu em outras negociações, como com a União Europeia, ainda em curso, o agronegócio canadense apresente pedidos de cotas e de produtos que devem ficar fora por um tempo do livre-comércio. "O Brasil é muito competitivo no agronegócio e todo mundo tem medo. Ninguém quer depender de um outro país na parte de alimentos, é o esperado", afirmou Abijaodi.

 

Já pelo lado brasileiro, setores da indústria deverão buscar se proteger dentro do acordo com o Canadá, mas, para o diretor, a cultura do industrial brasileiro mudou e ele vê cada vez mais que é necessário se abrir para esse tipo de acerto.

 

Corrente comercial

 

US$ 4,5 bi é o valor da corrente de comércio do Brasil com o Canadá, valor considerado muito baixo pelos especialistas

 

US$ 500 bi foi o quanto o Canadá comprou do resto do mundo no ano passado.

 

O país é o décimo maior importador do mundo.

Veículo: O ESTADO DE S. PAULO - SP


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