PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Banco do Brasil remodela área de comércio exterior


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
26 março 2018 - 08:08

Depois de reunir em uma única estrutura o atendimento aos negócios de comércio exterior, o Banco do Brasil (BB) quer descomplicar o acesso das micro e pequenas empresas às exportações. A mudança faz parte da reorganização dos negócios internacionais do BB. O processo envolveu o fechamento de agências e escritórios de representação em mercados onde o banco tinha pouca escala.

O foco nas empresas menores faz parte do plano dos grandes bancos de crescer em linhas com maior margem em um cenário de juros baixos. No fim do ano passado, as quatro maiores instituições de capital aberto - BB, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil - tinham uma carteira de crédito de R$ 257 bilhões para micro, pequenas e médias empresas.

O país conta com quase 60 mil empresas exportadoras, das quais 40 mil são clientes e 20 mil operam ativamente com o BB. "Além de manter os negócios atuais, queremos avançar em novos mercados", afirma Antônio Maurano, vice-presidente de negócios de atacado do Banco do Brasil.

O BB é líder nas tradicionais linhas de exportação, como os adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) e adiantamentos sobre cambiais entregues (ACE), com pouco mais de 30% do mercado. No fim do ano passado, o saldo das linhas era de R$ 15,5 bilhões. "Mas a preocupação do banco não é em aumentar a participação", diz Maurano.

Ao reunir os negócios de comércio exterior sob uma única estrutura, o BB na verdade volta às origens. O banco tinha uma diretoria voltada à área, ligada ao então vice-presidente de atacado Paulo Caffarelli, e que foi extinta em 2013 na gestão de Aldemir Bendine. Agora no comando do banco, Caffarelli decidiu recriar a unidade. "Importante dizer que não houve um real de aumento de custos com a mudança", afirma Maurano.

A nova estrutura permitirá ao banco oferecer consultoria a um número maior de clientes. A diretoria de comércio exterior conta com 150 gerentes de negócios dedicados. Eles ficarão nas agências voltadas ao atendimento a empresas que o banco vem montando. No fim do ano passado, eram 122 unidades.

Na prateleira, além das linhas de exportação, o banco vai oferecer crédito para investimento e importação e modalidades como o Proger, voltadas especificamente a empresas de menor porte. O BB também estabeleceu convênios com agências de fomento internacionais, como o Exim Bank da China, para o acesso a linhas de financiamento. "Existe um mito de que exportar é complexo, e queremos mudar isso não só com crédito, mas com prestação de serviços", diz Thompson Cesar, diretor responsável pela unidade de comércio exterior.

A aposta do banco no crescimento das operações de comércio exterior ocorre em um momento delicado para a pauta de exportaçõesbrasileiras, após a decisão do governo americano de aumentar a alíquota de imposto sobre as importações de aço e alumínio.

Para o vice-presidente do BB, movimentos protecionistas como o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costumam ser temporários. "Como a participação do país no comércio exterior ainda é muito baixa, então existe muito espaço para crescer", afirma.

Apesar das incertezas, o momento é favorável para o país ampliar as exportações, segundo Maurano. Nos últimos 12 meses até fevereiro deste ano, o saldo da balança comercial brasileira é de R$ 67,4 bilhões, alta de 32% na comparação com igual período de 2017. A unidade de comércio exterior também ficou responsável pelas operações de câmbio para os clientes no varejo.

Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP

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