PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Com hub, CE poderá exportar até 120 toneladas por semana
Volume movimentado pelas operações deve começar com 14 ton, capacidade média de cada aeronave


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
28 março 2018 - 08:17

O início da operação do centro de conexões de voos do Grupo Air France-KLM no Aeroporto Internacional de Fortaleza deve dotar o Ceará de uma capacidade de exportação de 84 toneladas por semana pelo modal aéreo, segundo calcularam, ontem (27), a diretora de Cargas da KLM, Renata Branco, e o secretário Cesar Ribeiro (Desenvolvimento Econômico). A expectativa da executiva, no entanto, é de operar um pouco mais: "de pelo menos 20 toneladas por voo, como em São Paulo e Rio de Janeiro". Com a chegada de cinco voos semanais a partir de maio e mais um em outubro, isso deve elevar a capacidade do Estado para 120 toneladas semanais.

"A ideia é começar com 15 toneladas como média de segurança, mas quero chegar a trabalhar como trabalho em São Paulo e Rio de Janeiro. Então,vamos começar esses voos, ver como o mercado se desenvolve e o voo se desenvolve. Pode ser que consiga por mais, mas só o dia a dia vai me dizer", afirmou, colocando-se à disposição dos empresários presentes à reunião feita no auditório da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), na tarde de ontem.

Renata assegurou ato dos presentes que o "projeto hub Fortaleza" já é uma realidade enquanto apresentou a atuação do grupo aéreo no setor de perecíveis/cargas frescas, o qual considera o principal nicho a ser desenvolvido no Ceará. Ao falar dos mercados atendidos mundialmente pela companhia, citou a "forte atuação na Ásia" e afirmou que a empresa opera em todo o globo.

"Se o destino final que o cliente quer for atendido pela Air France, vai nos aviões da Air France. Se for atendido pela KLM, vai de KLM. Essa é a vantagem da gente ter duas companhias aéreas na mão, pois tenho mais opção a oferecer", destacou, acrescentando que "onde não operamos com aeronave própria, temos parceiros".

Primeiras demandas

Com a chegada ao Aeroporto de Fortaleza anunciada ao mercado internacional, a diretora de Carga da KLM revelou que recebeu demanda de um comprador de lagostas frescas da Austrália, com interesse em 250 toneladas do produto em seis meses. A operação está em negociação por um operador local.

Esses agentes de logística, inclusive, também demonstraram interesse em negócios com a companhia a partir de Fortaleza, o que motiva o interesse de Renata em fazer o Brasil saltar da 9ª para a 5ª ou 6ª posição no ranking de cargas frescas da Air France-KLM.

"Avinda da KLM para o nosso estado vai trazer, além de mais competitividade, uma dinâmica maior para o mercado exterior a partir de novas rotas para Europa. Então, a gente tem maior demanda de serviço e vai poder atender mais clientes no Ceará", afirmou o diretor operacional da CTI Cargo, Thiago Abreu.

empresa opera para Europa, Américas e Ásia via Aeroporto, Pecém e Mucuripe, com cargas como peixes, arraias, calçados, couros, flores, sementes e frutas, e estima a chegada de novos produtores o retorno daqueles que saíram do Ceará para exportar no Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Preço pelo espaço

Perguntada se a localização de Fortaleza também faria com que os preços de frete seriam mais competitivos para as cargas enviadas à Europa, a diretora de Carga da KLM observou: "o que determina o preço não é a posição geográfica, mas é a ocupação do voo". A lei da oferta e da procura e também a organização e peculiaridades das cargas é que define os valores. Isso se dá porque os artigos enviados devem ser embarcados nos porões de voos de passageiros e, como a preferência é das bagagens, o espaço ocioso deve ser ocupado pelas cargas. Por isso se o espaço for pequeno e a procura grande, o preço será elevado.

COMPANHIAS

"Se o destino final for atendido pela Air France, vai nos aviões da Air France. Se for atendido pela KLM,vai de KLM"

RENATA BRANCO, Diretora de Cargas da KLM

OPINIÃO

Se tiver preço, exportação vai voltar a crescer

HUDSON CRIZANTO

Produtor de peixes ornamentais

O Estado do Ceará é muito carente de transporte aéreo. Somos reféns de três companhias aéreas pequenas e têm muitas restrições ao transporte de cargas vivas. Nós, da H&K, enviamos peixes ornamentais para mais de 20 países e dependemos de transporte aéreo.

Quando o avião deles estão com overbook, eles tiram as nossas cargas e colocam no chão e a gente fica sem poder mandar as cargas. Nosso volume de exportação depende muito da disponibilidade de frete. Às vezes, enviamos de quatro a cinco cargas por semana para diversos países, como China, Hong Kong, japão, Taiwan,Alemanha,França...

O preço do frete é exorbitante. Saímos de tarifas de US$ 1,50 para US$ 6 ou até US$ 8, e isso dificulta muito nosso trabalho e representa quase 605 do valor do produto. Se tiver serviço, logística e preço no transporte aéreo, essa atividade deve voltar com força no Estado.

 

 
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