PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Guerra comercial favorece came brasileira
Sobretaxa da China à carne suína dos EUA abre espaço para exportador do Brasil ampliar espaço no país asiático


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
03 abril 2018 - 08:16

Desde o embargo russo à carne de porco brasileira, chineses já assumiram o posto de principal comprador

DANIEL CAMARGOS

DE SÃO PAULO

A guerra comercial entre Estados Unidos e China abre espaço para empresas exportadoras de carne suína no Brasil, avalia a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). 0 país asiático é o maior consumidor de carne de porco do mundo: são 56 milhões de toneladas por ano. A título de comparação, o Brasil consome 3 milhões de toneladas anualmente.

Após o presidente dos Es-tadosUnidos, DonaldTrump, sobretaxar a importação de aço e alumínio, mirando na China, e questionar a ação do país junto a empresas de tecnologia americanas, Pequim respondeu no domingo (Io) elevando tarifas de 128 produtos. As sobretaxas variam de 15% a 25%. A carne suína foi taxada pelo teto.

0 vice-presidente e diretor de mercados da ABPA, Ricardo Santin, vê essa sobretaxa como uma oportunidade para as 11 empresas brasileiras habilitadas a exportar para China. "0 efeito psicológico já começou", diz Santin.

0 representante do setor entende que os trâmites para exportação não devem gerar novos contratos imediatos, mas que a condição do exportador brasileiro ficou mais vantajosa. "Podem negociar até melhores preços", afirma.

Os chineses importaram 275 mil toneladas de carne suína dos EUA em 2017, o que gerou receita de US$ 488 milhões. No mesmo período, o Brasil exportou 48,9 mil toneladas para a China, com receita de US$ 100,6 milhões.

AUMENTO

Os chineses já estavam importando mais carne de porco brasileira. 0 motivo, segundo Santin, foi o excedente gerado pelo embargo da Rússia à carne suína brasileira, em vigor desde novembro. 

A restrição russa se deve à presença do aditivo ractopa-mina em alguns carregamentos enviados ao país, alegação que os grupos setoriais de carnes do Brasil negam.

Tanto a Rússia quanto a China exigem que a carne suína não tenha o aditivo. 0 vice-presidente da ABPA afirma que após o embargo russo os exportadores brasileiros estão preparados, pois não usam o aditivo, o que, segundo ele, facilita as negociações com o mercado chinês.

Nos dois primeiros meses de 2018 foram 25,5 mil toneladas, o que representa um aumento de 140% se comparado ao mesmo período de do ano passado. Graças a esse avanço, os russos foram ultrapassados pelos chineses, que assumiram a liderança dos negócios brasileiros, comprando 28,4% do total vendido pelo Brasil.

0 governo dos EUA divulgará nesta semana a lista de importações chinesas que serão objeto de tarifas. A lista de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões em importações anuais deverá ser direcionada a produtos de alta tecnologia.

0 escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTr) precisaapresentar a lista de produtos até sexta (6), de acordo com o decreto tarifário contra a China que Trump assinou em 22 de março.

As tarifas visam a forçar mudanças nas políticas do governo chinês que, segundo o USTr, resultam na transferência "não econômica" da propriedade intelectual dos EUA para empresas chinesas.

A investigação da agência autorizando as tarifas alega que a China tem sistematicamente tentado se apropriar indevidamente da propriedade intelectual dos EUA por meio de exigências de joint venture, regras injustas de licenciamento de tecnologia, compras de empresas de tecnologia dos EUA com financiamento estatal e até roubo.

A China negou que suas leis exijam transferências de tecnologia e ameaçou retaliar tarifas americanas com sanções comerciais.

 

Com a Reuters

Veículo: FOLHA DE S. PAULO - SP

 

 
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