PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


EUA dividem cota para aço brasileiro em 5 categorias


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
02 maio 2018 - 08:17

Para ficarem isentas da sobretaxa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, as siderúrgicas brasileiras terão de limitar suas exportações de produtos semiacabados para os EUA. As exportadoras brasileiras terão que se comprometer com uma cota anual, que não poderá superar o volume médio vendido ao mercado americano nos últimos três anos (2015-17). O que ficar dentro desse limite ficará livre da tarifa adicional.

Entre todos os cenários avaliados pelas autoridades em Brasília, esse era um dos melhores, já que os semiacabados representaram em torno de 80% das exportações totais de US$ 2,63 bilhões de aço brasileiro aos Estados Unidos no ano passado. O principal argumento dos ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Marcos Jorge (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) nas negociações com Washington era justamente o de complementariedade com a cadeia produtiva americana. Isso tornaria o Brasil, segundo os dois ministros e a iniciativa privada, um fornecedor diferente dos demais. 

Já os produtos acabados - como laminados planos a quente ou a frio - serão divididos pela Casa Branca em quatro categorias diferentes. Elas também terão cotas com base nas quantidades (e não valores) exportadas entre 2015-17, mas com uma diferença: a aplicação compulsória de um "fator redutor". Ou seja, para não pagar sobretaxa, precisarão diminuir em um percentual a ser negociado suas vendas ao mercado americano nos últimos três anos.

No caso das siderúrgicas da Coreia do Sul, primeiro país a fechar acordo com os EUA, a restrição voluntária foi de 30%. Ou seja: os sul-coreanos só poderão exportar o equivalente a 70% do total embarcado no triênio anterior. Autoridades brasileiras mantêm discrição absoluta sobre o índice redutor que estaria sendo discutido agora. O aviso dos americanos sobre as cotas foi dado na sexta-feira. A aceitação é voluntária. Em outras palavras: o Brasil pode rejeitar a autolimitação de suas exportações, mas, nesse caso, pagaria 25% de sobretaxa para todas as vendas.

No caso do aço, a tendência é aceitar as condições impostas. A situação muda no caso do alumínio, que enfrenta sobretaxa de 10%. Os produtores brasileiros exportam US$ 120 milhões aos EUA - cerca de 15% do total exportado -, principalmente em alumínio, alumina e bauxita. De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, o setor estaria inclinado a rejeitar cotas com base nos últimos três anos porque os embarques nesse período teriam sido especialmente baixos. Com isso, acredita-se que restringir as exportações tendo como base volumes tão baixos seria pior ainda do que aceitar a tarifa adicional.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, já havia indicado a Brasília que aceitar cotas voluntárias seria provavelmente o melhor caminho para escapar das sobretaxas. Ele transmitiu essa mensagem em reunião com Aloysio Nunes em Lima, à margem da Cúpula das América, em abril.

Cabe agora ao governo brasileiro dar uma resposta nas próximas semanas - tempo estipulado pela Casa Branca aos demais países para uma solução definitiva. 

Ontem, Austrália e Argentina anunciaram que alcançaram um acordo com os EUA para serem isentas das sobretaxas.

Em Buenos Aires, o ministro da Produção da Argentina, Francisco Cabrera, disse em nota que o seu país concordou em limitar suas exportações para os EUA em 180 mil toneladas por ano para o aço e o alumínio em troca da isenção na sobretaxa. "Este é um grande sucesso para nós, nossos produtos não serão afetados pelas tarifas dos EUA", disse Cabrera em nota.

Em Camberra, o premiê australiano, Malcolm Turnbull, e seu ministro de Comércio, Steve Ciobo, saudaram a decisão de Trump de isentar o país das tarifas. "A isenção reflete a relação comercial justa e recíproca que a Austrália partilha com os EUA e sustenta a sólida amizade entre nossas duas grandes nações", diz a nota, sem dar detalhes sobre a contrapartida dada. (Com agências internacionais)

Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP

 

 
Avaliação
0 avaliações

Comentários Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.