PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Exportadores brasileiros recebem com preocupação retomada de sanções


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
11 maio 2018 - 09:05

São Paulo 

O retorno das sanções econômicas dos EUA contra o Irã gerou preocupação e pessimismo em parte de exportadores brasileiros.

Para Antonio Camardelli, presidente da Abiec (associação dos exportadores de carne bovina), o momento é de muita incerteza e preocupação.

"A notícia não é boa porque nos remete às dificuldades que havia antes do acordo de 2015", diz o executivo. 

O Irã foi o terceiro maior mercado para a carne brasileira em 2017, só atrás de China e Hong Kong, com US$ 559 milhões.

Jorge Mortean, chefe de negócios internacionais da Mercator Business Intelligentsia, lembra que os bancos centrais de Brasil e Irã negociavam um acordo para que suas transações bancárias fossem diretas e em moeda local.

"Esse anúncio é um balde de água fria nesse processo. A triangulação financeira encarece as transações e é a principal trava para o desenvolvimento da balança comercial." A Embraer, que mantinha conversas com companhias aéreas iranianas sobre a venda de aeronaves, informou que "cumprirá rigorosamente as diretrizes e orientações do OFAC em assuntos relacionados a quaisquer atividades no Irã". "A Embraer não tem vendas em carteira para empresas aéreas no Irã."

A referência é ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, agência do Departamento de Tesouro dos EUA que administra sanções econômicas e de comércio e emite licenças, "em apoio aos objetivos de segurança nacional e política externa dos EUA".

Caso a Embraer faça acordo com a Boeing, esse será outro complicador, afirma Thomaz Zanotto, diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp.

Já no caso do milho, principal item exportado para os iranianos, a expectativa é que a decisão americana seja um novo estímulo para os preços do produto, que já estão em alta, segundo Leonardo Sologuren, sócio-diretor da consultoria Horizon Company.

No ano passado, 17% do milho exportado pelo Brasil (US$ 783 milhões) teve como destino o mercado persa. No caso da soja, foram 79%, o equivalente a US$20,3 bilhões.

Zanotto disse não esperar que dificuldades como transporte ou garantias bancárias sejam empecilhos. "Não é a primeira vez que o I rã está sob sanções, e o Brasil já vendia esses produtos para lá", disse.

"O que vendemos são commodities muito básicas e podemos usar tradings europeias para fazer a transação, e transporte com empresas que não sejam americanas."

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