PNCE - Plano Nacional da Cultura Exportadora


Plano de Trump de taxar carro importado muda paradigmas
Como no aço, tributação será de 25% e pressiona montadoras a produzir nos EUA


Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
25 maio 2018 - 10:00

A guerra comercial deflagrada pelo presidente americano, Donald Trump, chegou aos fabricantes de veículos, que compõem uma das principais forças da atividade industrial dos Estados Unidos. Na mesma linha da tributação criada para o aço, Trump anunciou esta semana o plano de taxar veículos importados em 25%. A decisão pressiona as montadoras a produzir no segundo maior mercado do mundo, berço da linha de montagem, modelos antes importados livremente de outros países. "Isso muda totalmente o eixo da indústria automobilística", diz um alto executivo da filial brasileira de uma grande montadora, que prefere não ser identificado.

Se o novo imposto entrar em vigor a fatia dos modelos importados tende a diminuir em pouco tempo. Em 2017, veículos fabricados fora dos Estados Unidos representaram 36% das vendas naquele país. Do mercado que somou 17,5 milhões de unidades, 6,4 mil foram importadas de outros países, segundo dados da Organização Mundial de Fabricantes de Veículos (OICA na sigla em francês). Quase a metade foi produzida no México. Como ainda há muitas incertezas em torno da negociação do Tratado NorteAmericano de Livre Comércio (Nafta), é difícil prever até que ponto a taxação pode afetar as exportações de veículos mexicanos.

Mas, na avaliação de dirigentes do setor, praticamente todos os que exportam veículos para os EUA tendem a perder com a medida, já que, lembra fonte do setor no Brasil, o mercado americano é o mais lucrativo do mundo. Os ganhos vêm da soma dos grandes volumes de vendas com as características dos modelos. O consumidor americano prefere sempre veículos grandes, que carregam alto valor agregado.

Também pelo seu gigantismo, o mercado americano conseguiu, ao longo dos anos, atrair para seu território várias fábricas de praticamente todo o setor automotivo. Mas, nem todos os veículos ali vendidos são produzidos no país. Marcas japonesas, como Toyota, Nissan e Honda, e a coreana Hyundai completam a oferta de produtos com modelos importados.

A taxação pode afetar também segmentos de alto luxo, como os modelos Mercedes-Benz e BMW, produzidos na Alemanha, os da Volvo, na Suécia, e Jaguar, na Inglaterra. Mesmo que os compradores desse tipo de veículo sejam de classes com maior poder aquisitivo.

O Japão, um dos maiores exportadores de veículos, tende a ser um dos primeiros a sofrer o impacto de eventual taxação americana. O país produz volume muito acima do seu mercado interno. Segundo dados da OICA, no ano passado a indústria japonesa produziu 9,6 milhões de veículos e vendeu no mercado doméstico 5,2 milhões. Com exceção da linha de alto luxo, os volumes de importação nesse mercado são pequenos. Segundo publicações americanas especializadas no setor, o desinteresse do consumidor japonês por carros americanos irrita Trump.

Segundo fonte ligada à indústria japonesa, por questões culturais, o consumidor japonês dá preferência aos automóveis nacionais. Mas, além disso, restrições locais dificultam a entrada de novas marcas, como regras de localização de pontos de venda e normas de segurança dos veículos. Mas, acima de tudo, carrões e picapes americanos não combinam com um mercado que valoriza e incentiva o uso de modelos compactos.

O plano de Trump já provocou reações na indústria. A direção mundial da Toyota divulgou comunicado no qual diz respeitar os objetivos do governo norteamericano de criar mais empregos no país. Por outro lado, relata que ela própria emprega 136 mil pessoas nos EUA. No comunicado, a empresa reitera, porém, que defende o livre mercado.

Não é de hoje que as marcas estrangeiras enviam recados como esse ao governo Trump. "A Hyundai pode ser uma companhia coreana, mas metade dos veículos vendidos nos Estados Unidos são fabricados aqui", destaca a empresa em seu site dos Estados Unidos.

Mas, como em toda guerra, no mundo do comércio mundial, o contra-ataque não tarda a aparecer. Na contramão dos planos de Trump, a China anunciou esta semana que estuda reduzir seu imposto de importação para veículos de 25% para 15%. 

Essa pode ser uma boa notícia para marcas de luxo. Vendas eventualmente perdidas no mercado americano seriam, dessa forma, mais do que compensadas na China, o maior mercado do mundo, com 29 milhões de veículos vendidos no ano passado, o equivalente a um terço do total comercializado em todo o planeta.

Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP

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